terça-feira, 4 de junho de 2013

Minhas doces lembranças!!!

A vida inteira continuei sonhando com aquele pé de laranja lima!!!!!
                               Desde pequena minha mãe e meu pai leram, desenharam e contaram histórias para mim. Minha irmã do meio, a Tata, terminando o antigo ginasial, decidiu que seria professora e continuou seus estudos fazendo o curso de Magistério, numa escola pública e o colegial numa particular. Eu ficava encantada com os deveres de escola que ela fazia em casa com seu grupo e, minha mãe sempre no meio. E foi ela, minha querida irmã e minha adorada mãe que me ensinaram a ler e a escrever “antes da hora”. Por que antes da hora? Porque já no pré-primário eu li e escrevi sem nenhuma dificuldade.
                A partir daí, já não queria mais histórias lidas pelos “outros”, mas sim desejava ler um livro: grande e grosso. Foi quando ganhei de presente, na 1ª série do antigo primário: Meu Pé de Laranja Lima é um romance juvenil, escrito por José Mauro de Vasconcelos e publicado em 1968.
Breve relato:
 Este livro retrata a história de um menino de cinco anos chamado Zezé, que pertencia a uma família muito pobre e muito numerosa. Zezé tinha muitos irmãos, a sua mãe trabalhava numa fábrica, o pai estava desempregado, e como tal passavam por muitas dificuldades, pelo que eram as irmãs mais velhas que tomavam conta dos mais novos; por sua vez, Zezé tomava conta do seu irmãozinho mais novo, Luís.
Zezé era um rapazinho muito interessado pela vida, adorava saber e aprender coisas novas, novas palavras, palavras difíceis que o seu tio Edmundo lhe ensinava. Contudo, passava a vida a fazer traquinagens pela rua, a pregar peças aos outros e muitas vezes acabava por ser castigado e repreendido pelos pais ou pelos irmãos, que passavam a vida a dizer que era um mau menino, sempre a fazer maldades. Todos estes fatores e o fato de não passar muito tempo com a mãe, visto que esta trabalhava muito, faziam com que Zezé, muitas vezes, não encontrasse na família o carinho e a ternura que qualquer criança precisa. Somente de sua irmã Glória, que ele carinhosamente chama de "Godóia".
Ao mudarem de casa, Zezé encontra no seu quintal da sua nova moradia um pequeno pé de laranja lima, inicialmente a ideia de ter uma árvore tão pequena não lhe agrada muito, mas à medida que este vai convivendo com a pequena árvore e ao desabafar com esta, repara que ela fala e que é capaz de conversar consigo, tornando-se assim o seu grande amigo e confidente, aquele que lhe dava todo o carinho que Zezé não recebia em casa da sua família. Zezé teve também um grande amigo o português Manuel Valadares.
            Após o término dessa leitura, li vários outros livros. Selecionava um autor e ia à Biblioteca Municipal para copiar e trazer para casa os nomes das obras do mesmo e, minha mãe, estava sempre presente na seleção. Em seguida, ela me perguntava o que tinha achado e pediu para eu lhe contar a história. Acredito que foi dessa maneira que aprendi a gostar tanto dos “Por quê?” e, também a partir daí, sem saber, a escrita e eu tivemos um pouco mais de intimidade.
Carla Galatti


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