quinta-feira, 20 de junho de 2013

Aprender a aprender, observando outros pontos de vista

A CORROSÃO DO COTIDIANO NO CONTO “PAUSA” DE MOACYR SCLIAR

Virginia Salvador de Oliveira (UECE)
Essa trapaça salutar, essa esquiva, esse logro
magnífico que permite ouvir a língua fora do
poder, no esplendor de uma revolução
permanente da linguagem, eu a chamo,
quanto a mim: Literatura.
(Roland Barthes)
Resumo: Neste trabalho pretende-se abordar uma pequena parte da grande produção de
Moacyr Scliar, tendo como foco o conto Pausa. Esse conto traz uma abordagem de um dos
grandes problemas do chamado homem moderno, o estresse do cotidiano. Além disso, faz-se
uma breve análise da vida do autor e uma análise do conto baseado em conceitos de Massaude
Moisés, além de, concisamente, ressaltar alguns aspectos semânticos de extrema importância.
Convém explicitar também os aspectos universais do conto que, provavelmente, são grandes
responsáveis pelo impacto que esse texto provoca. Detalhes também são observados, como o
título do conto e seus significados possíveis, o uso de certos objetos indicativos de tempo que
fazem alusão à rotina, o uso recorrente dos mais variados tipos de metáforas e como estas nos
ajudam a fazer associações com aspectos do dia a dia, e que atitudes do personagem Samuel
fazem com que saibamos que há a marca de uma corrosão. É importante ressaltar que as
análises e destaques que serão feitos nos ajudarão a perceber aspectos comuns e próprios do
nosso cotidiano como seres humanos, que muitas vezes passam despercebidos em vista da
rapidez com que ocorrem os fatos no dia a dia. A partir das análises feitas, espera-se que o
trabalho ajude no que se refere à exemplificação de como a escrita se aproxima de forma
verossímil da realidade; de como o ficcional pode ser tão humano e real, utilizando-se de
situações comuns que são vistas e vividas diariamente. O conto tem seu fim, mas não a ideia,
tampouco este trabalho, pois um conto com um personagem cuja densidade psicológica é tão
atraente, não pode ter uma interpretação fechada, definida.

Palavras chaves: Conto, cotidiano, pausa, análise, interpretação.

1. INTRODUÇÃO

Pretendemos abordar uma pequena parte da grande produção de Moacyr Scliar, focando
em um dos seus contos. O escolhido é o conto Pausa. Este faz parte do audiobook ‘Pausa – 25
Contos Do Moacyr Scliar’, lançado em 2008 pela Editora ‘Livro Falante’.
 O léxico, a semântica, a densidade psicológica, entre outros pontos serão abordados na
análise desse fabuloso texto, em que o autor surpreende mesmo quando se propõe a ser
simples, abordando assuntos cotidianos, como a fuga do estresse da rotina. Em um curto
espaço de tempo, é explorado o que não sabemos e o que não queremos saber da vida.

2. VIDA E OBRA DO AUTOR

Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS), no Bom Fim, bairro que até hoje reúne
a comunidade judaica, a 23 de março de 1937, filho de José e Sara Scliar. Sua mãe, professora
primária, foi quem o alfabetizou. Cursou, a partir de 1943, a Escola de Educação e Cultura,
daquela cidade, conhecida como Colégio Iídiche. Transferiu-se, em 1948, para o Colégio
Rosário, uma escola católica.
 Em 1955, passou a cursar a faculdade de medicina da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, em Porto Alegre (RS), onde se formou em 1962. Em 1963, ele inicia seu trabalho
como médico, fazendo residência em uma clínica médica. Trabalhou junto ao Serviço de
Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (SAMDU), daquela capital.
 Scliar publicou mais de setenta livros, entre crônicas, contos, ensaios, romances e literatura
infanto-juvenil. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público bastante amplo de leitores, e
em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande
quantidade de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o Associação Paulista de
Críticos de Arte (APCA) (1989) e o Casa de las Americas (1989).
 Suas obras frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam
temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários
outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas.
 Em 2002 ele se envolveu em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo
famoso romance A Vida de Pi, vencedor do prêmio Man Booker, foi acusado de ser um plágio
da sua novela Max e os felinos. O escritor gaúcho, no entanto, diz que a mídia extrapolou ao
tratar do caso, e que ele nunca teve o intuito de processar o escritor canadense. Entre suas
obras mais importantes estão os seus contos e os romances O ciclo das águas, A estranha
nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O centauro no jardim, este último
incluído na lista dos 100 melhores livros de temática judaica dos últimos 200 anos, feita pelo
National Yiddish Book Center nos Estados Unidos.É o sétimo ocupante da cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras. Foi eleito em 31 de
julho de 2003, na sucessão de Geraldo França de Lima, e recebido em 22 de outubro de 2003
pelo acadêmico Carlos Nejar.

3. ANALISE FORMAL DO CONTO

 Utilizaremos os critérios de Massaude Moisés, focando a unidade de tempo, a unidade de
espaço, a unidade dramática, o número de personagens, a situação do diálogo e o tipo textual.
Além disso, pretendemos definir o personagem do conto.
 A unidade de tempo é um pouco mais de doze horas. O conto começa quando o
personagem Samuel acorda às sete horas da manhã e acaba quando o mesmo personagem sai
do hotel um pouco depois das dezenove horas. A unidade de espaço que prevalece é o hotel
pequeno e sujo em que Samuel passa o domingo. Mas além desse, tem a casa do personagem,
utilizada no começo do texto.
 A unidade dramática é a tentativa de fuga feita pelo executivo Samuel da sua rotina,
alugando um hotel todos os domingos com um nome falso, Isidoro. Alugando sempre o
mesmo quarto, sentava-se na cama, comia os sanduíches que preparara em casa, configurava
o despertador para tocar às dezenove horas e dormia. Enquanto isso, sua mulher,
aparentemente mal humorada e desagradável, acreditava que o marido estava trabalhando no
escritório.
 O número de personagens é bem reduzido: Samuel ou Isidoro (protagonista), a esposa do
Samuel, o gerente do hotel e duas mulheres gordas que estavam no hotel. A mulher do
Samuel não tem um nome no texto, mas é caracterizada como um sujeito aparentemente
rejeitado. Prova disso é que Samuel ao se levantar evita fazer barulho para que ela não
perceba que irá sair novamente, prefere comer sanduíches a vir almoçar em casa, o diálogo
entre o casal é muito curto e antes que ela fale muito, ele pega o chapéu e sai.
 Os diálogos no texto são frases curtas, o que pode ser uma sugestão para a pressa da rotina,
ou seja, mesmo Samuel tentando fugir do estresse do cotidiano, ele não consegue ter mais
calma nas ações. Para melhor exemplificar, chamaremos atenção a um elemento muito
importante na narrativa, o despertador. Isso nos faz refletir que cada momento é
cronometrado, que a história é formada em torno de um círculo, de uma rotina. Por mais que o
personagem tente construir outro mundo, fugir daquela situação, que até mude o seu nome,
ele sempre estará preso a determinados padrões e comportamentos que já estão inseridos na
cultura do homem moderno.
 O tipo textual é narrativo, relatando a história de um jovem rapaz casado com uma mulher
aparentemente desagradável. Todos os domingos, o personagem que usava outro nome como
disfarcem com o pretexto de ir trabalhar, ia dormir em um hotel. Refugiava-se em sonhos e só
depois de ser acordado pelo despertador, voltava para casa, admirando a paisagem,
lentamente, voltando para sua realidade.

4. ASPECTOS SEMÂNTICOS RELEVANTES NO CONTO

 O conto relata a história de Samuel, um jovem rapaz casado com uma mulher
aparentemente mal humorada e de companhia desagradável. Todos os domingos Samuel,
também chamado de Isidoro, nome que usava como disfarce, era despertado às sete horas da
manhã. Lavava-se, preparava sanduíches e saia de casa com um pretexto de que iria trabalhar
no escritório, mas, a realidade era outra, ele direcionava-se para um hotel pequeno e sujo,
onde era atendido pelo porteiro que já o conhecia. Lá passava o dia inteiro dormindo,
tentando se refugiar da correria do cotidiano transformando o seu mundo em um mar de
sonhos e só após ser despertado por um relógio, retornava para casa, lentamente, observando
a paisagem, voltando ao seu mundo real.
 A utilização do título “Pausa” pode ser vista tanto como uma possível interrupção na
rapidez com que as coisas têm acontecido como também a necessidade de uma reflexão
acerca de sua existência e o reflexo dessa postura na sociedade vigente. No decorrer do conto
vários caracteres da vida Pós-Moderna vão se apresentando e criando forma através de
objetos, atitudes, situações e sentimentos.
 O despertador, por exemplo, marca o tempo, a necessidade de cronometrar as atividades a
serem realizadas, a fim de, não esquecer e nem se atrasar. Para essa narrativa, este é um objeto
de extrema necessidade, pois, Samuel ao ouvi-lo tocar salta da cama e começa a rotina do dia,
sendo uma de suas atividades preparar sanduíches, comida de fácil e rápido preparo que
marca o processo de industrialização cada vez mais propício a atender a necessidade das
pessoas e também seu conseqüente lucro.
 Através do trecho: “Muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche” é possível perceber
como a velocidade tem invadido e tornado mecânico o cotidiano das pessoas tanto pelo
significado que elas apresentam quanto pelo uso de frases curtas.
 O autor também deixa transparecer a sua voz no desenrolar dos acontecimentos com a
expressão “dormir”. A personificação também é marca registrada em alguns momentos:
“cidade começava a mover-se, automóveis buzinando, noite caia” etc.
 O texto também apresenta a fuga do personagem Samuel, na tentativa se refugiar do stress
do dia-a-dia, ao construir outra rotina que é praticada aos domingos. No entanto, por mais que
ele se isole do mundo “real”, os seus hábitos são característicos da correria do cotidiano. Não
tem tempo para conversar com o porteiro, as mãos são limpas no próprio guardanapo e não
lavadas, enfim, a personagem muda as características de sua rotina, mas, o aspecto da intensa
velocidade que o rodeia é a mesma, a vida social está presente em cada instante, pois como
ressalta. A sociedade condiciona o homem e mesmo que se tente fugir dela é inútil.
 Outro aspecto relevante a ser observado é a angústia de Samuel durante o sono, pois,
mesmo depois de toda uma preparação para o tão esperado descanso, ele continua agitado,
sonhando com brigas, agitações, correrias. Alguns dos seus sonhos tinham certa relação com a
natureza, talvez por ser o seu desejo não realizado por falta de tempo. A figura da esposa de Samuel é apresentada no conto com alguns aspectos que nos leva a
entender que há uma espécie de rejeição por parte do esposo. Samuel ao se levantar evita
fazer barulho para que ela não perceba que irá sair novamente, prefere comer sanduíches a vir
almoçar em casa, o diálogo entre o casal é muito curto e antes que ela fale muito, ele pega o
chapéu e sai. Esta suposta rejeição também pode ser identificada no texto, num primeiro
momento a mulher aparece bocejando, em seguida ela o interroga com um azedume na voz
que pode ser identificada de duas formas, ou ela está acordando naquele exato momento, ou
estar de mau humor e cansada. Por fim, ela aparece coçando a axila esquerda,
comportamentos estes que leva a um suposto desmazelo, que também pode ser motivo para o
desprezo do marido.
 Contudo, durante toda a narrativa, a presença de objetos identificadores do tempo é
constante, e isso, nos faz refletir que cada momento é cronometrado, que a história é formada
em torno de um círculo, de uma rotina. Por mais que a personagem tente construir outro
mundo, fugir daquela situação, que até mude o seu nome, ela sempre estará presa a
determinados padrões e comportamentos que já estão inseridos na cultura do homem
moderno.

5. ASPECTOS UNIVERSAIS DO CONTO

 O conto é extremamente surpreendente, mostra claramente, como mesmo disse Moacyr
Scliar, o quanto o ser humano é esquisito. O nome do conto pode apresentar duas
interpretações básicas: Uma pausa na rapidez com que as coisas acontecem no cotidiano do
personagem ou uma pausa na própria existência do personagem Samuel, sendo substituído
por Isidoro.
 Um dos seus aspectos universais é exatamente essa pressa do dia-a-dia do homem
moderno. Podemos perceber isso, por exemplo, através do trecho: “Muito trabalho. Não há
tempo. Levo um lanche.”. É possível perceber como a velocidade tem invadido e tornado
mecânico o cotidiano das pessoas tanto pelo significado que elas apresentam quanto pelo uso
de frases curtas.
 Outro aspecto é a distância entre marido e esposa, como podemos perceber em um
primeiro momento quando a mulher aparece bocejando e interroga o personagem principal
com uma voz de azedume, podendo indicar cansaço e mau humor. Por fim, ela aparece
coçando a axila esquerda, comportamento que indica desmazelo, talvez seja até mesmo outro
motivo para o desprezo do marido.
 É importante ainda lembrar a fuga de personalidade que Samuel faz. A pausa representa
um refúgio, uma fuga da realidade, do meio social e familiar. É nesse momento que Samuel,
passando-se por Isidoro, manifesta seus desejos e sua insatisfação com a vida. Ele tem medo
de ser reconhecido, ou seja, medo de que seja identificado pela sociedade, e isso é ratificado
no trecho: "Olhou para os lados entrou furtivamente". O personagem enquanto sujeito faz o
ato de negar a sua própria identidade para o mundo e para si mesmo. Além disso, outro trechoque nos leva crer que ele busca ocultar-se é que ao estar no carro, guia vagarosamente, mas ao
ir ao encontro do seu objeto de desejo, tem a preocupação de estacionar o carro distante do
hotel "sujo" e caminhar apressadamente.

6. CARACTERÍSTICAS DO AUTOR PRESENTE NO CONTO

 No conto Pausa podemos observar um texto simples e fluente, característica básica da
literatura de Moacyr Scliar.
 A principal característica de sua escrita, que podemos destacar em Pausa, é a discussão do
tema da identidade cultural na pós-modernidade. Em outras palavras, como as personagens
presentes nos contos representam o sujeito pós-moderno, considerado pelos antropólogos
como sujeitos fragmentados e dicotômicos. Há uma preocupação do autor em tentar entender,
por meio da narrativa, a condição humana.
 Além disso, observamos também a preferência por personagens carentes de identificação -
seres sem nome ou qualquer outro traço que os individualize. Samuel, também era chamado

de Isidoro, o que lhe caía como um tipo de disfarce, uma fuga de sua individualização.
Conto: Pausa

Moacir Scliar

Número de aulas Previstas: 05

Série: 8ª/9º ano
Autor : Moacir Scliar


Pausa
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:

- Vais sair de novo, Samuel? Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

- Todos os domingos tu sais cedo - observou a mulher com azedume na voz.

- Temos muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente. Ela olhou os sanduíches: - Por que não vens almoçar?

- Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche. A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga,

Samuel pegou o chapéu:

- Volto de noite. As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.

Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando Edson um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé.

- Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? - Estou com pressa, seu Raul! – atalhou Samuel.

- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. – estendeu a chave. Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade.

- Aqui, meu bem! - uma gritou e riu: um cacarejo curto. Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.

Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.

Dormir. Em pouco dormia. Lá embaixo a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, as jornaleiras gritando, os sons longínquos.

Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.

Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.

Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista. - Já vai, seu Isidoro?

- Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio. - Até domingo que vem, seu Isidoro – disse o gerente.

- Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.

- O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.

Samuel saiu.

Ao longo do cais guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.



Da teoria  para a prática: Construção da Situação de aprendizagem com foco de leitura.

Trabalho desenvolvido em grupo no MGME e, traduzido para a sala de aula.

Elaborando o Alinhamento Construtivo

Objetivo(s): 

- A partir do título, colher elementos que mostrem que o aluno possui conhecimento sobre o mesmo. 
- Feita a leitura compartilhada, observar se o aluno a acompanha e entende.
- Trazer o texto (no caso o conto) para o cotidiano da sociedade.
- Mostrar ao aluno  que o acontece no conto também pode acontecer na vida dele e de tantas outras pessoas.
- Mostra-lhe a coerência/e coesão. 
- Trazer para a sala de aula a biografia do autor, ressaltar fatos relevantes, bem como suas obras.

Atividades de Verificação de interpretação

 1º momento

- Dividir o texto em partes. Ler a primeira e deixar que os alunos exponham sua ideia. 
-Anotar as mesmas na lousa. 
- Ler a segunda, anotar as ideias formadas e verificar se os mesmos permanecem com a ideia inicial ou se mudaram com relação à mesma.
- Fazer isso onde o conto apresenta o clímax.  

2º momento

- Indagar os alunos sobre os chamados "juízos de valor".
- Continuando a indagação, verificar se isso é comum no nosso cotidiano e no das pessoas de uma maneira geral.
- Perguntar-lhes, o que representa o índio em relação ao conto e ao sonho de Samuel.

3º momento

Do clímax para o desfecho.

- Houve mudança da ideia inicial do clímax para o desfecho?
-  No texto há um juízo de valor. Qual seria ele?
- O texto poderia ser comparado com uma fábula. Como e por quê?
- O que eles acharam da leitura? Justificar

Verificação da aprendizagem

- Apresentar agora o texto  O ASSALTO -  de Luís Fernando Veríssimo para que os alunos desenvolvam as mesmas atividades para a verificação da aprendizagem.

(Obs: Texto já postado no blog)







terça-feira, 18 de junho de 2013

Plano de aula - Avestruz

 Situação de aprendizagem   texto "Avestruz".
PLANO DE AULA
 Público Alvo: 8 anos
 Aulas Previstas: 3 aulas
 Atividade: Leitura, Reescrita e Réplica da Crônica – Avestruz
 Material necessário: Texto e sala de informática

Justificativa:
            Neste texto pretende-se trabalhar a crônica em seus aspectos irônicos e humorísticos, além de desenvolver habilidades em que o aluno consiga identificar a interdisciplinaridade existente em seu contexto.

Objetivo: O objetivo é fazer com que o educando seja capaz de desenvolver capacidades de identificar as características do gênero, motivando-os a sentir prazer e gosto pela leitura. Além de desenvolver habilidades para a prática leitora e escrita, incentivando e estimulando-os, mediante às dificuldades, através de pesquisas que envolvam o planejamento colocando em prática as tarefas propostas para cada perfil de leitor.

Metodologia

Primeira aula:

            Antes de iniciar a leitura faremos um levantamento sobre as leituras que já fizeram sobre textos com humor e ironia, onde cada aluno irá retratar suas vivências/ experiências com este gênero.
            Após a sondagem colocarei o título na lousa em função de gerar expectativas e perguntas como:
O que é uma avestruz?
Onde se encontra este tipo de animal?

            Com esta prévia farei a apresentação do autor com perguntas biográficas.

Alguém já leu alguma obra deste autor? Caso alguém tenha lido conte o que sabe sobre o autor.

            Após o levantamento iniciarei a leitura, contudo fazendo pausas que enfatize-a fazendo intervenções que serão produtivas durante a leitura.

Pedirei que registrem em seus cadernos sobre hipóteses da história.
Farei uma pausa no terceiro parágrafo e pedirei que façam a suspeita inteligente, onde irão relatar o que acham que vai acontecer na história.
Em outro momento da leitura do texto, já no décimo primeiro parágrafo faremos uma segunda pausa com perguntas como:

a)     Diante de tantos argumentos, será que o garoto mudaria de idéia ao querer ou não a avestruz?
b)     Se fossem vocês continuariam com a idéia de ter o avestruz como animal de estimação?

Ao término da leitura farei a socialização da atividade fazendo perguntas para os alunos sobre o texto em seu contexto.

a)     O menino conseguiu o que queria?
b)     O narrador, usando de relatos informativos, sobre o avestruz, conseguiu atingir o objetivo? Qual era este objetivo?

Segunda aula:

            Nesta segunda aula dividirei os alunos em seis grupos de cinco alunos para leva-los à sala de informática. Disponibilizarei os endereços eletrônicos e o tema que cada grupo deverá pesquisar.

            Sites disponíveis para pesquisa:

www.google.com.br: pt.wikipedia.org/wiki/avestruz

www.suapesquisa.com/mundoanimal/avestruz

www.recreio.com.br/licao-de-casa/voce-sabiaavestruz

www.brasilescola.com/animais/avestruz

www.girafamania.com.br/introducao/aprendendo_animais_avestruz

www.zoologico.com.br/animais.php?an=683

Grupo 1: Descrição da avestruz
Grupo 2: Comportamento da avestruz
Grupo 3: Características da avestruz
Grupo 4: Reprodução da avestruz
Grupo 5: Curiosidades sobre a avestruz
Grupo 6: Classificações científicas da avestruz

Terceira aula:

            Nesta aula faremos a socialização entre os grupos que farão a exposição sobre suas pesquisas, e sanarei as possíveis dúvidas.

Avaliação

            A avaliação será feita em dois estágios, sendo o primeiro ao término da leitura onde avaliarei se os alunos identificaram o tema e a ideia principal e se conseguiram compreender o conteúdo implícito no texto “Avestruz”. Levando-se em conta o levantamento de hipóteses feitas pelos alunos.

            Já na segunda avaliação verificarei se houve êxito nas pesquisas e se houve interação entre os grupos.
Situação de aprendizagem desenvolvida pelo grupo da participante Eli Bilato.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O ASSALTO

Luís Fernando Veríssimo

Quando a empregada entrou no elevador, o garoto entrou
atrás. Devia ter uns dezesseis, dezessete anos. Preto. Desceram no mesmo andar. A empregada com o coração batendo.
 O corredor estava escuro e a empregada sentiu que o garoto a seguia. Botou a chave na fechadura da porta de serviço, já em pânico. Com a porta aberta, virou-se de repente e gritou para o garoto:
- Não me bate!
- Senhora?
- Faça o que quiser, mas não me bate!
- Não, senhora, eu...

A dona da casa veio ver o que estava havendo. Viu o garoto na porta e o rosto apavorado da empregada e recuou, até pressionar as costas contra a geladeira.
- Você está armado?
- Eu? Não.

A empregada, que ainda não largara o pacote de compras,
aconselhou a patroa, sem tirar os olhos do garoto:
- É melhor não fazer nada, madame. O melhor é não gritar.
- Eu não vou fazer nada, juro! – disse a patroa, quase aos
prantos. – Você pode entrar. Você pode fazer o que quiser. Não precisa usar de violência.
O garoto olhou de uma mulher para a outra. Apalermado.
Perguntou:
- Aqui é o 712?
- O que você quiser. Entre. Ninguém vai reagir.
O garoto hesitou, depois deu um passo para dentro da
cozinha. A empregada e a patroa recuaram ainda mais. A patroa esgueirou-se pela parede até chegar à porta que dava para a saleta de almoço. Disse:
- Eu não tenho dinheiro. Mas o meu marido deve ter. Ele
está em casa. Vou chamá-lo. Ele lhe dará tudo.
O garoto também estava com os olhos arregalados.
Perguntou de novo:
- Este é o 712? Me disseram para pegar umas garrafas no
712.

A mulher chamou, com a voz trêmula:
- Henrique!
O marido apareceu na porta do gabinete. Viu o rosto da
mulher, o rosto da empregada e o garoto e entendeu tudo. Chegou a hora, pensou. Sempre me indaguei como me comportaria no
caso de um assalto. Chegou a hora de tirar a prova.

- O que você quer? – perguntou, dando-se conta em
seguida do ridículo da pergunta. Mas sua voz estava firme.
- Eu disse que você tinha dinheiro – falou a mulher.
- Faço um trato com você – disse o marido para o garoto –
dou tudo de valor que tenho em casa, contanto que você não toque em ninguém.
E se as crianças chegarem de repente? Pensou a mulher.
Meu Deus, o que esse bandido vai fazer com as minhas crianças?

O garoto gaguejou:
- Eu... eu... é aqui que tem umas garrafas para pegar?

-Tenho um pouco de dinheiro. Minha mulher tem jóias. Não
temos cofre em casa, acredite em mim. Não temos muita coisa.
-Você quer o carro? Eu dou a chave.
Errei, pensou o marido. Se sair com o carro, ele vai querer ter certeza de que ninguém chamará a polícia. Vai levar um de nós com ele. Ou vai nos deixar todos amarrados. Ou coisa pior...

- Vou pegar o dinheiro, está bem? – disse o marido.
O garoto só piscava.
- Não tenho arma em casa. É isso que você está pensando?
Você pode vir comigo.
O garoto olhou para a dona da casa e para a empregada.
- Você está pensando que elas vão aproveitar para fugir, é
isso? – continuou o marido. – Elas podem vir junto conosco.
Ninguém vai fazer nada. Só não queremos violência. Vamos todos para o gabinete.
A patroa, a empregada e o Henrique entraram no gabinete.
Depois de alguns segundos, o garoto foi atrás. Enquanto abria a gaveta chaveada da sua mesa, o marido falava:
- Não é para agradar, mas eu compreendo você. Você é
uma vítima do sistema. Deve estar pensando, “Esse burguês cheio da nota está querendo me conversar”, mas não é isso não. Sempre me senti culpado por viver bem no meio de tanta miséria. Pode perguntar para a minha mulher. Eu não vivo dizendo que o crime é um problema social? Vivo dizendo. Tome. É todo o dinheiro que tenho em casa. Não somos ricos. Somos, com alguma boa vontade, da média alta. Você tem razão. Qualquer dia também começamos a assaltar para poder comer. Tem que mudar o sistema. Tome.

O garoto pegou o dinheiro, meio sem jeito.
- Olhe, eu só vim pegar as garrafas...
- Sônia, busque as suas jóias. Ou melhor, vamos todos
buscar as jóias.
Os quatro foram para a suíte do casal. O garoto atrás. No
caminho, ele sussurrou para a empregada:
- Aqui é o 712?
- Por favor, não! – disse a empregada, encolhendo-se.
Deram todas as jóias para o garoto, que estava cada vez
mais embaraçado. O marido falou:
-Não precisa nos trancar no banheiro. Olhe o que eu vou
fazer. Arrancou o fio do telefone da parede.
- Você pode trancar o apartamento por fora e deixar as
chaves lá embaixo. Terá tempo de fugir. Não faremos nada. Só não queremos violência.

- Aqui não é o 712? Me disseram para pegar umas garrafas.
- Nós não temos mais nada, confie em mim. Também somos vítimas do sistema. Estamos do seu lado. Por favor, vá embora!
A empregada espalhou a notícia do assalto por todo o prédio.
Madame teve uma crise nervosa que durou dias. O marido
comentou que não dava mais para viver nesta cidade. Mas achava que tinha se saído bem. Não entrara em pânico. Ganhara um pouco da simpatia do bandido. Protegera o seu lar da violência. E não revelara a existência do cofre com o grosso do dinheiro, inclusive dólares e marcos, atrás do quadro da odalisca.
A teoria na prática: Construção de Situação de aprendizagem em foco de leitura.
Texto: O assalto
Autor: Luis Fernando Veríssimo
 Ativação de conhecimento de mundo
1-      Apresentar o título do texto e colher informações prévias de conhecimento dos referidos alunos. Focar no título e analisar com os mesmos se este nos faz sentir medo.
2-       Recortar o texto pelas cores e distribuí-lo  após discutir e debater cada parte, somada a um clímax ao qual a mesma nos submete.
3- Na primeira parte, depois de lida e analisada argumentar sobre a palavra Preto, destacada no mesmo e amarrá-la ao título e aos “medo” (reconhecer nessa hora que pessoas humildes, vestidas de maneira precária e negras, ainda no século XXI, infelizmente ainda “parecem gerar ameaças”.
·         Checagem de hipóteses e localização de informações
4-      A situação apresentada pelo texto no início se confirmou?
5-      Qual era o objetivo do garoto, que tantas vezes perguntou se ali era o apartamento 712?
6- O desespero, com relação a assaltos e a presença da um adolescente, como o citado acima, parecem fazer com que as pessoas em alguns momentos se portem como se fossem surdas? Diante de uma situação como essa, e se fôssemos de classe média lata, também se daria conosco?
 Percepção de outras linguagens
7- Criação de uma HQ e, após, a encenação do texto (trazendo a HQ como cenas do cotidiano)
 Para pensar:
8- No texto há um juízo de valor?
9- É comum, através da raça, credo, vestimenta, não ouvirmos o que alguém tem para falar e, de imediato, atribuirmos um juízo de valor?
10- À medida que vamos lendo o texto, esse “juízo” faz com que mudemos?
11- Isso aconteceu com a família e a empregada?     
12- Qual a posição do aluno em relação ao desfecho?
 Elaboração das apreciações estéticas e ou afetivas (neste momento agrupar os alunos)
13- Oralmente, pedir aos alunos para que contem outros casos onde predomine, sem análise anterior alguma, a aplicação de outros juízos de valor.
Debate
14- Em grupos os alunos deverão dar outro título à história.
15- Em seguida, deverão escrever um parágrafo dissertativo-arugumentativo, sobre a essência da história lida.
16- Para finalizar, deverão pesquisar, fatos como o da história, que por equívoco, levaram pessoas a cumprirem penas, tirando-as do convívio social. Quais as medidas, após ter sido descoberto o equívoca, foram tomadas. Essas pessoas retornaram sua vida com normalidade?



Situação de aprendizagem : Texto - Pausa

Situação de aprendizagem desenvolvida em grupo com as participantes : Alini, Eliane, Loudes, Renata e Ruti, em encontro presencial do curso Melhor Gestão / Melhor Ensino.
Texto:Pausa
Autor : Moacir Scliar
Pausa

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:

- Vais sair de novo, Samuel? Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

- Todos os domingos tu sais cedo - observou a mulher com azedume na voz.

- Temos muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente. Ela olhou os sanduíches: - Por que não vens almoçar?

- Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche. A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga,

Samuel pegou o chapéu:

- Volto de noite. As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.

Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando Edson um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé.

- Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? - Estou com pressa, seu Raul! – atalhou Samuel.

- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. – estendeu a chave. Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade.

- Aqui, meu bem! - uma gritou e riu: um cacarejo curto. Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.

Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.

Dormir. Em pouco dormia. Lá embaixo a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, as jornaleiras gritando, os sons longínquos.

Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.

Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.

Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista. - Já vai, seu Isidoro?

- Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio. - Até domingo que vem, seu Isidoro – disse o gerente.

- Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.

- O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.

Samuel saiu.

Ao longo do cais guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.

A teoria na prática: Construção de Situação de aprendizagem em foco de leitura.

Texto: Pausa

Autor: Moacyr Scliar

Ativação de conhecimento de mundo
1-      Apresentar o título Pausa e questionar sobre o que seria essa pausa.

2-       Fazer a leitura do texto até o quinto parágrafo e questionar qual seria o tipo de trabalho no domingo?

3-      Continuar a leitura do sexto parágrafo até o décimo quarto e questioná-los o que poderá acontecer, diante do convite da mulher.

Checagem de hipóteses e localização de informações
4-      A situação apresentada pelo texto no início se confirmou?

5-      Qual o objetivo dessa pausa de Samuel?

 Percepção de outras linguagens

6-      Criação de uma tira em quadrinhos que retrate o momento do sonho de Samuel no hotel.

 Elaboração de apreciações relativas a valores éticos e ou políticos.

7-      Qual a posição do aluno em relação ao desfecho?

 Elaboração das apreciações estéticas e ou afetivas (neste momento agrupar os alunos)

8-      Questionar sobre as relações familiares comparando-os com as de Samuel e a esposa.

9-      Promover um debate regrado, em que os meninos justifiquem a posição de Samuel e as meninas a da esposa.

 Percepção de relações de interdiscursividade

10-   Criar uma paródia baseada na história, porém com inversão de papéis.

 Percepção de relações de intertextualidade

11-   Audição da música Amélia (Mário Lago) e comparações com o texto.
http://www.youtube.com/watch?v=gHezuiMAvvM


Crédito imagem: http://pt.scribd.com/doc/148239998/Plano-de-Aula-Conto-Pausa-1

domingo, 16 de junho de 2013

Provocando Sensações- colocar em prática as atividades propostas e incentivar a colaboração e a oralidade.

Meu Primeiro Beijo
Antonio Barreto
É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem
com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos
exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e
morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos
seus milhares de bilhetinhos:
"Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou
com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de
mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber
que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus,
veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias
e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou
na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina;
0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo
menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os
meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem
os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso
aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz,
fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro
de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns
segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos,
o abismo do primeiro beijo.

PROVOCANDO SENSAÇÕES
TEXTO: O primeiro beijo – Antonio Barreto
PÚBLICO ALVO: 9° ano
AULAS PREVISTAS: Aproximadamente 6 aulas.
OBJETIVO: Mobilizar a capacidade leitora, principalmente formular e validar hipóteses; colocar em prática as atividades propostas e incentivar a colaboração e a oralidade.
RECURSOS: Textos, computador (internet).
PROCEDIMENTOS:
Sensibilização:
.Instigar o aluno para que se interesse pelo texto (Tem alguém apaixonado aqui?/Então, vocês gostariam de beijar essa pessoa?).
.Escrever na lousa o título do texto:
Questionar: Como você acha que esse beijo vai acontecer? Em qual situação?
Leitura compartilhada:
.Pausas em momentos determinados a fim de que o aluno levante hipóteses e as valide ao final do texto:
Sugestões: Por que o garoto tem o apelido de Cultura inútil?”; “Quem é o culta?” – retomada de elementos referenciais; “Quem já ouviu falar de Paracelso?”; “Quem é o bactéria falante?” – retomada de elementos referenciais, verificar a compreensão, “Pelo beijo que deram, eles manterão o relacionamento?”.
Ao final da leitura, perguntar se o final do texto agradou, se esperavam outro desfecho, que relações podem estabelecer com sua própria vivência.
Pesquisas: (Acessa Escola) –
.Biografia: “Paracelso” (Esclarecimento de palavras desconhecidas) (Caso os alunos não esclareçam o termo de forma inferencial ou pelo contexto, durante a leitura).
.Música: (percepção de relações de interdiscursividade)
“Beija eu” – Marisa Monte
Audição e discussão relacionado os dois textos: em que convergem ou divergem.
.Telas: percepção de outros linguagens).
“O beijo” – Gustav Klimt;
“O beijo roubado” – Jean Honore Fragonard
Promover discussão relacionando essas linguagens (não verbal) com o texto (verbal): após a observação das mesmas, fazer perguntas a fim de que o aluno possa oralmente avaliar suas expectativas e sensações em relação às linguagens apresentadas:
Sugestões: Os dois beijos provocam as mesmas sensações nos personagens ou nos leitores?
.Em função da finalidade da leitura, utilização do registro da compreensão do texto.

AVALIAÇÃO: Observar como são as atitudes do leitor durante a leitura, como explicita suas hipóteses a respeito do conteúdo do texto, se verifica se suas hipóteses se confirmam ou não, identifica e recupera as informações explícitas, se constrói a síntese semântica do texto, se troca impressões a respeito dos textos lidos, se os avalia criticamente.

domingo, 9 de junho de 2013

Poema de Fernando Pessoa

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."
Fernando Pessoa

Poema de Cora Coralina

Mãe

"Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura."
Cora Coralina

Lembranças de minhas primeiras leituras

A leitura é a atividade mais importante para o indivíduo conhecer o mundo, as pessoas, como pensam, sua cultura e conhecerem a si mesmo, não somente adquirirem conhecimento mas despertar a sensibilidade do homem que na vida serão respeitados, amados uns aos outros. Em minha infância, além de minha primeira professora Beatriz que me ensinou a recitar poesias tive também o meu tio e minha mãe que costumavam contar histórias para meus irmãos e para mim de João e Maria, Cinderela, Branca de Neve e os Sete Anões, Pinochio, Chapeuzinho Vermelho... Eu adorava e meu querido tio além de contar por contar, ele fazia com que eu naturalmente fosse percebendo a diferença entre as narrativas oral e escrita, e sempre pedia que eu recontasse, me ajudando a compreender e relatar a história. Também extraia as palavras chaves para eu memorizar. Lembro-me dele fazendo isso com o livrinho de história Três porquinhos. Escrevia os nomes em papel de pão e depois ele pedia que eu identificasse os nomes nas páginas dos livros. É muito bom relembrar. É um momento mágico; Adoro!!!

sábado, 8 de junho de 2013

Boa tarde, tutora e cursitas!




Diante disso é impossível esquecer que nos ensinou a conhecer as letras, juntá-las em palavras e, feito isso, lê-las.

Bom final de semana!

Carla Galatti

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Queridos companheiros e tutora,


"Todos nós reconhecemos a importância vital da linguagem na vida humana, pois sem ela não seria possível a comunicação profunda com nossos semelhantes. Entretanto, a linguagem tem uma dupla dimensão: compreensão e interpretação da linguagem alheia e interpretação e expressão da linguagem própria.
A comunicação é o fato social básico do qual provem todas as construções do homem e toda a sua cultura. A sociedade e a cultura são consequências entrelaçadas da comunicação. Sem comunicação não teria sido possível a organização e a interação sociais. A língua tem, pois, um papel unificador e civilizador". (Siqueira & Bertolin)
Mas como fazer para que essa linguagem deixe de ter aquela "caseira" ou extremamente coloquial?
Resposta: a leitura
Somente com leituras diversificadas, o aluno conseguirá compor uma linguagem adequada. Convém lembrar, que é necessário distinguir "correção" de "propriedade". A segunda é a adequação das palavras ao pensamento que se deseja expressar. Já a primeira, é a acomodação das palavras às normas exigidas pela língua. 
"A escola tem tríplice tarefa com relação à língua: purificá-la, enriquecê-la e fazer com que o aluno desperte e desenvolva a capacidade de criação (escrita), sem, contudo, esquecer esta realidade: a criatividade visa capacitar o aluno a uma expressão rica, própria, correta, fluente, sem a pretensa intenção de forçá-lo a ser artista". (Siqueira & Bortolin)
Concluímos assim, que leitura e escrita andarão sempre de mão dadas.

Carla Galatti

Neiva,
Seja bem-vinda ao grupo.
Percebeu como o blog ficou show? Agora é necessário que juntas o atualizemos constantemente.
Aplausos para a Alini Barbi.
Beijos

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Após ter lido o depoimento de algumas pessoas de diferentes áreas sobre leitura e escrita, me identifiquei com o pensamento de:
 Newton Mesquita- "Quando você vê um quadro e gosta muito, a sensação é a de que aquela imagem sempre esteve dentro de você. Com o texto é a mesma coisa: aquilo toca na sua essência e detona tantas ideias e fantasias que se torna parte de sua vida"

Antonio Candido- ...”humanização - processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante”.


Ana Verônica Mautner- ...E eu, que não sou poeta, fico só com o constrangimento de calar diante da estreiteza da minha linguagem. Não poetejo. Minha ciência e eu cá ficamos constritos e acanhados, porque nos vemos obrigados a nos esquivar de explicar tantos sentimentos, tão humanos.

Também acredito que a leitura deva ser assim: prazerosa, interessante, indagativa que nos deixe em um clímax gostoso e, que o desfecho seja algo para refletirmos sobre nós, o mundo, a vida, as pessoas, a natureza, Deus, enfim, que haja reflexão desde a leitura de uma frase quanto a de um livro.

Ontem, numa orientação técnica da qual participei a profª Maria Antonia retomou a fala da nossa tutora Maria Angélica, sobre: "Letramento e capacidades de leitura para a cidadania" e, mais uma vez, pude perceber a importância da leitura desde a primeira infância e para todo e sempre. 
Na parte onde ela discute sobre as "Capacidades de apreciação e réplica do leitor", parei para pensar em outros fatores e não só com relação ao texto. Se alguém não faz minimamente uma leitura de mundo, certamente essa pessoa terá uma dificuldade imensa de argumentar. 
Sendo assim, "A contribuição do letramento escolar" é sim responsabilidade "das diversas disciplinas no processo de formação do leitor", pois somente com essa unificação serão formados leitores com "capacidades de compreensão", usando diferentes estratégias e, esses mesmo leitores estarão capacitados para replicar e interagir  sendo o próprio construtor de sua linguagem e pensamento.
Obs: " Roxane Rojo"

Carla Galatti